A TRISTE DESPEDIDA SEM UM ÚLTIMO BEIJO NA FACE: O PAÍS DO CULTO AS ARMAS, PERDEU 400 MIL VIDAS PARA UMA ARMA INVISÍVEL

O Brasil chegou nesta quinta-feira 29 de abril de 2021, a triste marca de 400 mil mortes causadas pelo coronavírus. Vozes que foram arrancadas, silenciadas, histórias cruzadas por um conjunto de descaso com a população brasileira. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro, em uma das suas muitas entrevistas polêmicas, mencionou que no máximo seria, uma vez infectado, pego por uma “gripezinha”, isso se dava pelo seu histórico de atleta. Sua política, que se assemelha a uma necropolítica, levou essa expressão até as últimas consequências. Tratou a pandemia como se fosse uma gripezinha e o resultado são milhares de perdas humanas.

Protesto da ONG Rio de Paz em Copacabana, no Rio de Janeiro, espalhou 400 sacos de corpos pela areia da praia. Foto: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

Em 2019, no crime ambiental da Vale em Brumadinho, MG, ouvi de uma pai que perdera seu filho, que o que mais doía nele, era não poder dar um beijo de despedida em seu filho, meus olhos marejaram e baixei a câmera, pois, não consegui fotografá-lo com lágrimas na face. O que essa história tem a ver com a pandemia? Tudo! No mínimo 400 mil famílias que não puderam dar um último beijo na face do seu ente querido, o coronavírus, mudou a forma como tratamos o luto, acelerou a despedida, nos tirou a possibilidade de um beijo final, mesmo seu ente querido estando perto de ti.

O que nos deixa mais triste e revoltados é sabermos que essas 400 mil vidas poderiam ser salvas, se não todas, os especialistas têm dito que a metade no mínimo receberia um beijo de recuperação dos seus entes queridos. O governo federal, não quis fechar um contrato no ano de 2020, com uma das empresas que produziu uma de tantas vacinas no mundo, 70 milhões de doses. Mencionou que quem quer vender que deveria ir até ele, perdemos 70 milhões de doses, ganhamos 400 mil mortes e uma população carente por políticas públicas eficientes em combate ao mal chamado coronavírus.

Morremos aos montes, choramos pelas mais de três mil mortes diárias que o país já teve e tem tido. Mas, não perdemos a esperança de dias melhores, sem um governo que não preze pela vida. Protestamos diariamente, como fizeram a ONG Rio de Paz, nesta sexta-feira, 30 de Abril de 2021, colocando sacos de corpos na praia de Copacabana, cavando buracos na areia, simbolizando as perdes diárias que temos. Diante de um governo mascarado, sem compaixão as perdas que temos tido, nos resta protestarmos, nos protegermos deste vírus maldito e formar frentes de resistência a política nefasta do governo federal.

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Fotos: Bárbara Dias/Fotoguerrilha
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Texto: Wagner Maia/Fotoguerrilha

Fotos: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

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