Luta pela água no Rio de Janeiro

O ano de 2020 já começou com uma grave crise hídrica tendo que ser enfrentada pela população do Rio de Janeiro. A água distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) está chegando turva e com sabor alterado na torneira das pessoas, de acordo com a CEDAE, a Geosmina, substância produzida por um tipo de alga, é a responsável pelo problema. A CEDAE afirmou que o uso da água não causa problemas à saúde, porém, muitas pessoas estão relatando problemas de saúde como náuseas, dores de cabeça, fraqueza e diarreias.

A poluição da Bacia do Guandú, que é de onde vem a água fornecida pela CEDAE, já vem há tempos sendo o topo da discussão sobre a privatização da estatal, que se for vendida pode, além do problema que já enfrenta, colocar em risco o acesso à água como um direito, em troca do lucro para grandes grupos empresariais. O  governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel,  já disse que a despoluição do rio só vem após a privatização, o que coloca em questão a obscuridade por trás desse problema.

Aliás, a luta contra a privatização da CEDAE foi um dos grandes momentos de resistência em 2017, onde os trabalhadores da Companhia se mobilizaram contra sua venda e enfrentaram a repressão do Estado.

Repressão que volta a aparecer em 2020 na luta pela água. Nesta semana, dia 21, manifestantes autônomos organizaram um ato “Água não é mercadoria – Água limpa já!” que se concentrou na Prefeitura do Rio de Janeiro e caminhou até a sede da CEDAE, em protesto contra a má qualidade da água que a companhia tem fornecido à população da cidade. Manifestantes sofreram truculência da polícia que não permitiram a ocupação de todas as faixas, e o ato seguiu ocupando meia pista, acompanhado de um forte aparato de repressão.

O modo truculento e o contingente desproporcional da PM tem sido cada vez mais intenso nos atos por todo o Brasil, intimidar com armas, bombas e bloquear trajetos de manifestações já se tornou algo comum em manifestações no país. Assim como no Rio, em São Paulo as lutas contra o aumento da tarifa no transporte (pauta de clamor cotidiano da população, assim como a água) estão sendo reprimidas da mesma forma.

A caminhada pela água se encerrou em frente a sede da CEDAE, com a leitura de uma carta manifesto, assinada por vários movimentos autônomos, a organização do ato anunciou também uma assembleia no domingo 26/01, na Aldeia Maracanã.

Confira as fotos do ato feitas pela fotógrafa Bárbara Dias:

Foto: Barbara Dias/Fotoguerrilha
Foto: Barbara Dias/Fotoguerrilha
« 1 de 5 »

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo