Fotos e reportagem por Luciana Bello

Alunos, pais e professores de colégios federais do Rio realizaram na manhã de 06/05/2019 um protesto contra o corte de verba de pelo menos 30% nas universidades e institutos federais anunciado na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC).

 

O ato se iniciou em frente ao Colégio Pedro II, e marchou por alguns metros até a porta do Colégio Militar, ambos na Tijuca, Zona Norte do Rio, onde o presidente Jair Bolsonaro participava de lançamento de medalha comemorativa pelos 130 anos da instituição.

 

Os estudantes, muito bem organizados, optaram por não falar com a imprensa. Estavam presentes alunos do Colégio Pedro II – CPII; Instituto Federal de Ciência e Tecnologia – IFRJ; do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – Cefet-RJ e do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – CAp-UFRJ).

 

Foram entoadas palavras de ordem como “que contradição, tem dinheiro para empresário, mas não tem para a educação” e “não vai ter corte, vai ter luta”. Na mesma manhã, a hashtag #EuDefendooCPII no Twitter foi o segundo assunto mais comentado no Brasil. Foi bonito de ver aqueles jovens!

 

O protesto foi completamente pacífico e o mais impressionante foi a presença em peso do Exército, com uma enorme quantidade de militares fortemente armados, com dedo no gatilho ou segurando cães de guerra, além, é claro, de alguns policiais militares.

 

Segundo Cláudia Souza, mãe de uma aluna do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Pedro II e integrante da Comissão de pais, mães e responsáveis do complexo CPII São Cristóvão e do Coletivo Diverso e Democrático – mães, pais e responsáveis do CPII, cujo lema é “Escola sem mordaça”, o protesto de hoje objetivou visibilidade ao movimento estudantil, com a consequente revogação dos cortes, que interferem diretamente nas verbas de custeio da escola, como água, luz, terceirizados e auxílios estudantis. Tudo isso causará um grande impacto a partir do segundo semestre. No próximo sábado, haverá uma reunião com os responsáveis onde serão discutidos os próximos passos junto aos segmentos do colégio.

 

Já o reitor da instituição, Oscar Halac, afirmou que os cortes de 36,37% na instituição – o que equivale a R$ 18,5 milhões a menos no orçamento – a deixará sem condições de funcionar.

 

Nas universidades há um verdadeiro tesouro em pesquisas sendo realizadas e que precisam continuar, os estudantes de Ensino Médio precisam se formar. Toda a educação federal pede socorro contra essa verdadeira asfixia sobre as ciências do Brasil e sobre a educação em geral.