Marielle e Anderson Presentes, vários cortes em nossas peles. A democracia pede socorro!

Já faz mais de um mês que as lutas perderam Marielle Franco, vereadora morta covardemente a tiros junto ao seu motorista Anderson Gomes, enquanto voltavam de um evento na Lapa, centro do Rio de Janeiro. Até o momento o Estado e sua polícia não deram nenhuma resposta sobre esse crime com traços de execução. Durante os primeiros dias tivemos uma grande movimentação de pessoas em manifestações por Marielle e Anderson. O Coletivo Fotoguerrilha esteve nas ruas com suas câmeras registrando os atos pelos olhares de: Ana Júlia, Bárbara Dias, Charlotte Dafol, Luciana Bello, Kauê Pallone, Rodrigo Campanário e Vinícius Ribeiro. Reunimos as principais imagens dessa cobertura acompanhadas do texto de Wagner Maia. 


A noite de quarta-feira (14/3) ficará marcada em nossa história como a consolidação da derrocada da democracia no Rio de Janeiro e no Brasil. A carne de Marielle fora cortada, ou pior, alvejada por vários tiros. A vereadora da cidade carioca, a quinta mais votada nas últimas eleições, foi brutalmente assassinada junto com seu motorista Anderson.

O Rio dava um último suspiro e pedido de socorro da democracia, através das vozes das mulheres negras que acompanhavam Marielle. Ela era a personificação das vozes das favelas, cuja sua militância na favela da Maré trouxe diversos jovens para o cenário de representação cultural, social e principalmente de resistência. Calaram uma mulher guerreira, negra, uma mãe exemplar, calaram as vozes que tentam ecoar em choros nesse Rio de Janeiro melancólico de 15 de março de 2018.

São vitórias, Daniele’s, Marcela’s, Thais, Ana’s, Dandara’s e tantas outras mulheres, feministas ou não, mas que viam na figura da Marielle, uma possibilidade e um alento de salvação da democracia. O Rio de Janeiro já vinha sangrando em 2018 com altos índices de assassinatos de negros e negras, periféricos e periféricas. Com a intervenção Militar, o clima ficou mais tenso, as repressões nas favelas como exemplo da Vila Kennedy aumentaram, o recado foi dado. A intervenção é contra os pobres. Mas, Marielle não se calava, fez parte da comissão para apurar a intervenção e impor a necessidade dos Direitos Humanos presentes nesses lugares que, se quer o restante da cidade os consideram humanos. Ela era contra os abusos das autoridades policiais na favela de Acari. Marielle pagou com a vida, sua luta pelos mais necessitados.

Quanta dor ao escrever esse texto com a morte da Marielle, Anderson, Amarildo, Claudia e dos jovens em Costa Barros com mais de 110 tiros. Cortaram nossas peles com as mortes em uma sociedade que clama e ao mesmo tempo riem dos assassinatos, seguidores do deputado federal Jair Bolsonaro, riram em algumas páginas das redes sociais pela morte da vereadora. O mundo anda tão lastimo que a pele que sangra é a mesma que ri da desgraça alheia.

Mas, Marielle está presente nas vozes femininas e masculinas que não se calarão diante da derrocada da democracia. Hoje, choramos pelas vidas ceifadas desses dois guerreiros que se foram brutalmente na noite de ontem. Mas, hoje a gente também renasce das cinzas em prol de Marielle, Anderson, Amarildo e tantos outros e outras. Não só por hoje, mas diariamente, não dedicamos um minuto de silêncio, mas uma vida de luta.

Marielle e Anderson presentes, mesmo que nossas carnes sagrem sem parar.

Confira a cobertura de cada fotografx do coletivo:

 

Ana Júlia

 


 

Bárbara Dias

 

 


 

Rodrigo Campanario

 

 

 


 

 

Charlotte Dafol

 

 


 

Luciana Bello

 


 

Kauê Pallone

 

 


 

Vinícius Ribeiro

 

 

 

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