A célebre frase de Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”, pode ser vista em sua máxima potência, em diversas manifestações de luta e resistência das mulheres negras, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por conta do Dia 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, várias atividades lideradas por mulheres pretas em luta, que movimentaram estruturas e fomentaram debates importantes, sobre raça, gênero e violência, em várias frentes, e nós do Coletivo  Fotoguerrilha, acompanhamos essas narrativas de resistência na favela da Maré no Rio de Janeiro no 4º Julho Negro, na marcha das mulheres negras, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

4º Julho Negro: Favelas e mulheres na luta contra o racismo e a militarização!

Na edição de 2019, o Julho Negro trouxe o debate da luta contra o racismo e militarização, o evento que está em seu 4º ano é organizado por comunicadores comunitários, moradores de favelas e movimento de mães e familiares vítimas da violência do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de debater o impacto da militarização, do racismo e do apartheid em suas vidas. Segundo os organizadores do evento o Julho Negro tem o objetivo de “internacionalizar as lutas, contar e denunciar as nossas dores, e juntar as nossas forças contra aquelas que nos oprimem e matam.”

No segundo dia do Julho Negro, que aconteceu na quinta-feira (25) no Museu da Maré, data em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também Dia Nacional de Tereza de Benguela, foram realizadas três rodas de conversas: 1) Corpos LGBTQ+: militarização e a resistência favelada; 2) Genocídio: das drogas ao cárcere; 3) Mulheres Negras: nossa resistência vem de longe. O evento ainda contou com diversas apresentações artísticas como encenações teatrais e dança, declamação de poesias e uma homenagens às mulheres faveladas, além de uma exposição fotográfica  intitulada “Militarização da Vida: Mulheres, Corpos e Territórios” proposto pelo Instituto PACS em parceria com a comunicadora popular Gizele Martins.

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Fotos: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

4ª Marcha das Mulheres Negras em São Paulo

Em São Paulo, no dia 25 de julho, a marcha das mulheres negras, no centro da cidade. A data marca o Dia Internacional da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha, que representa um marco de resistência das mulheres negras contra a opressão de gênero e raça. Em 2014, uma lei tornou o dia 25 de julho o Dia Nacional de Teresa de Benguela, que foi uma líder quilombola do século 18 e defensora por anos destes territórios contra os ataques dos europeus. A Marcha das Mulheres negras acontece desde 2016 e esse ano o tema escolhido foi: “Sem violência, racismo, discriminação e fome! Com dignidade, educação, trabalho, aposentadoria e saúde!”. O ato contou com falas políticas, aula pública, poesia e intervenções artísticas, como a do já tradicional bloco Ilú Oba De Min. Mulheres indígenas também participaram da marcha.
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Fotos: Kauê Pallone/Fotoguerrilha

5ª Marcha das Mulheres Negras no Rio de Janeiro

O Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro realizou no domingo dia 28/07/19, ás 10:30 da manhã, pelo quinto ano consecutivo, a Marcha das Mulheres Negras, a marcha saiu pela orla de Copacabana, junto ao Posto 4. Tiveram como tema Mulheres Negras Resistem: em movimento por direitos, contra o racismo, o sexismo e outras formas de violência. O evento celebra também o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Muitos movimentos sociais participaram na luta contra o preconceito, violência, feminicídio contra os povos de matrizes africanas.
Aconteceram oficinas de confecções de cartazes, além de performances artísticas culturais afro-brasileira com muita música e dança ao longo de toda marcha até o final, no Leme. Muitas gerações inteiras de mulheres estavam presentes eram bisavós, avós, filhas, netas e bisnetas exigindo respeito e direitos. A vereadora Marielle Franco, assassinada com seu motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018, foram lembrados durante todo o ato recebendo inúmeras homenagens e pedido de justiça.
Muitos pedidos de não a violência eram solicitados e não era para menos, os dados são alarmantes: “De acordo com o Dossiê Mulher, a cada 100 mil mulheres negras, 6.8 foram vítimas de homicídio doloso, mais do que o dobro constatando para cada 100 mil mulheres brancas, que foi de 2.7 vítimas.”
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Fotos: Rodrigo Campanario/Fotoguerrilha
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Reportagem por: Bárbara Dias, Kauê Pallone e Rodrigo Campanario.