Ruas Que Gritam

Antes de se tornar agência, a Fotoguerrilha foi por um tempo um coletivo pequeno de fotógrafos, por isso, separamos o primeiro ensaio desta época para inaugurar o site da Agência Fotoguerrilha. 

Texto e fotos por Kauê Pallone

É no concreto, na ruína dele, que as marcas ficarão e contarão a história. Na pedra, pau, ferro retorcido. No resto de cola do lambe que se descolou, ou alguém quis arrancar com a unha, queimar. O que importa mesmo é que ficou e de lá não saiu. O que? A imortalidade de um ato artístico, a existência de um grito, um apelo, pura arte como grito. Sem som, só cores, sem cores, tipografada, embebida na cola. O rolinho que ficou no canto de uma esquina depois da fuga. Adrenalina, informação, arte, ou só a impressão do pensamento na cena urbana. Talvez seja isso, o pensamento se expande de tal forma que sua necessidade se amplia junto ao desejo de estar cravado também na superfície, no muro.

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Entre botecos, prédios, casas de prostituição, a liberdade de expressão se faz presente nos atos e ações daqueles que produzem o fluxo aglomerado de gente, bicho humano. Na parede alguém grita para você, não da forma tradicional pela voz, nem ao menos você escuta o grito, ele é visual.

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Isso te atinge, pode desaparecer como na linha do tempo do Facebook. Aquilo te atinge, te puxa, ou te xinga. Lembranças das lutas do cotiano, chamadas para encontros pela revolução, de nós mesmos ou do coletivo.

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Outrora Pelé beija o C-3PO, um menino chora em Santa Teresa, paredes se cobrem da expressão popular.

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O que dizer de um mundo sem vida, ou melhor, que cor ele teria? Cinza, branco, transparente e quadriculado como no fundo de uma imagem em “.png”? Certamente não teria a cor e o borrado que as pinceladas de tinta produzem na paisagem da cidade. Um caos artístico e social que espelha o asfalto em pleno ambiente caótico, barulho e fumaça, enquanto no muro vemos um índio e Chico Buarque, o piXado e o grafitado, portas, entradas, saídas.

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Que fique então registrado aquilo que alguém quis deixar marcado, na parede, a liberdade e a expressão voltam para o imaginário, para a memória, digitalizam-se, viraram arquivo.

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Confira mais imagens em nosso Acervo

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