Rio de Janeiro e São Paulo nas ruas contra Bolsonaro nesse 24 de julho

Texto por Kauê Pallone, relatos e fotos do ato no Rio de Janeiro por Wagner Maia e em São Paulo por Isabela Naiara.

Estamos ainda vivendo um cotidiano pandêmico, sob um governo que deixou passivamente mais de 500 mil pessoas morrerem por um vírus, em um cenário que podia ter sido diferente. É difícil ver um número tão grande  de pessoas morrer e não criar dentro de si, uma centelha que seja, de revolta.

Com motivos de sobra para ocupar as ruas, milhares de pessoas fizeram do dia 24 de julho mais um  dia de luta contra o governo Bolsonaro, tendo ruas de diversas cidades no Brasil tomadas por manifestações.

No Rio de Janeiro o ato convocado por movimentos sociais, militantes autônomos e partidos de oposição que ocuparam as ruas do centro da cidade.

O Rio de Janeiro com seu histórico de lutas tem há anos contado com uma diversidade imensa de protestos organizados pelos mais diversos movimentos sociais da cidade, sejam eles organizados por pessoas ligadas aos partidos, ou organizados por pessoas que lutam de forma independente, fora do modelo tradicional e político.

Mas os últimos atos no Rio de Janeiro e em São Paulo (onde o coletivo Fotoguerrilha sempre está presente na cobertura fotojornalística das ruas) nos deparamos com alguns conflitos e ações que fogem do caráter revolucionário que essas marchas poderiam ter.

Antes, nós (Fotoguerrilha) precisamos falar algo, somos um coletivo de fotografia, mas não nos limitamos à ela, sentimos junto aos manifestantes a mesma centelha de revolta e agimos com nossas câmeras como parte de um todo, que compõe atos e manifestos nas cidades brasileiras. Por isso, podemos nos posicionar como fotógrafos e mídia independente que somos e no ato de ontem no Rio de Janeiro vimos relatos que manifestantes, ligados à partidos tradicionais, agrediram outros manifestantes de movimentos ligados à pautas muito importantes como a da Casa Nem / FIST, há relatos e vídeos que mostram as agressões.

Confira as fotos feitas por Wagner Maia na cobertura do Coletivo Fotoguerrilha no ato do Rio de Janeiro:

 

Em São Paulo a história começou antes mesmo do dia 24 de julho, quando partidos e movimentos mais burocratizados da esquerda paulista se reuniram dias antes com a Polícia Militar, para assinar um documento que definiu os rumos do ato no dia 24 de julho na Avenida Paulista.

Já não é de hoje que a criminalização de manifestantes independentes sempre é pauta nos protestos, convivemos com a prisão e agressão da polícia contra jornalistas e fotógrafos independentes há tempos e presos políticos ainda são recorrentes, só por conta disso essa reunião com os agentes repressores do Estado deveria ser, no mínimo, negada.

Não foi o que aconteceu, o resultado disso é a possibilidade ainda maior de criminalização de manifestantes que optam pela ação direta nos atos. E se não fosse pior a ideia de ter a polícia dominando uma organização de manifesto público, ainda há o problema de ter “militantes” de partidos e movimentos ligados aos partidos da cidade, denunciando manifestantes autônomos.

No final, não serviu para nada o acordo de parte da organização com os militares, o ato que ocorreu na cidade de São Paulo e teve concentração na Avenida Paulista, sofreu repressão da mesma forma, durante o trajeto da manifestação até a Praça Roosevelt através da Avenida da Consolação. No trajeto ocorreu confronto entre manifestantes e policiais e prisão de diversas pessoas.

A repressão ocorreu através de balas de borracha e bombas de efeito moral. Novamente, o ato contou com a participação de muitas pessoas que demonstraram seu descontentamento, de certa forma, raiva com a desastrosa condução federal na pandemia, além do flerte com o fascismo.

Confira a cobertura em São Paulo pelas lentes da fotógrafa Isabela Naiara na cobertura do Coletivo Fotoguerrilha:

 

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